Entre a terra e a memória: agricultura familiar como expressão cultural nas comunidades quilombolas de Aroeira e Lagoa dos Anjos
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v10i2.1702Palavras-chave:
Agroecologia, Sustentabilidade, Sementes crioulas, Saberes tradicionais, Segurança alimentarResumo
As comunidades rurais e tradicionais desempenham papel central na preservação ambiental, na produção agroecológica e na conservação dos saberes ancestrais. Dentre essas comunidades, destacam-se os quilombos contemporâneos, que mantêm formas próprias de organização social, práticas produtivas sustentáveis e modos de vida fortemente vinculados à terra. Este trabalho analisa o papel da agricultura familiar nas comunidades quilombolas Lagoa dos Anjos (Candiba/BA) e Aroeira (Palmas de Monte Alto/BA), localizadas no Território de Identidade Sertão Produtivo, com base em relatos orais de seus moradores. A pesquisa, de natureza qualitativa, foi conduzida por meio de entrevistas semiestruturadas, observação participante e registro audiovisual das práticas cotidianas. Os dados revelam que a agricultura familiar vai além da subsistência, sendo expressão de resistência, memória e pertencimento. As práticas agrícolas observadas incluem o uso de sementes crioulas, o manejo sustentável do solo e o cultivo de espécies de uso múltiplo, contribuindo para a segurança alimentar e a manutenção da biodiversidade local. Além disso, a terra é compreendida como um espaço sagrado, cujos cuidados envolvem aspectos simbólicos, espirituais e coletivos. As falas dos moradores evidenciam a importância da transmissão intergeracional de conhecimentos, fortalecendo vínculos comunitários e estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas. Conclui-se que a agricultura familiar nas comunidades estudadas é um pilar essencial para a soberania alimentar, para a preservação cultural e para a promoção de sistemas produtivos orgânicos e agroecológicos, sendo fundamental sua valorização nas políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável de territórios tradicionais.
Referências
ver arquivo
