Caracterização química e avaliação antioxidante da farinha e do extrato alcoólico de caruru
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v10i2.1729Palavras-chave:
Amaranthus spp., Atividade antioxidante, Composição centesimal, Farinha vegetal, PANCResumo
Este estudo avaliou a farinha e o extrato etanólico obtidos das folhas de caruru (Amaranthus spp.), uma planta alimentícia não convencional (PANC) com elevado valor nutricional e potencial funcional. As folhas foram colhidas em viveiro experimental, higienizadas com solução de metabissulfito de sódio a 0,2% e desidratadas em estufa a 75 °C por 6 horas. Após trituração, a farinha foi armazenada a –18 °C e submetida à análise centesimal, apresentando 5,91% de umidade, 17,68% de cinzas, 8,81% de proteínas, 5,62% de lipídios e 61,96% de carboidratos por diferença. O extrato foi obtido a partir da extração da farinha com etanol a 70%, utilizando agitação seguida de banho ultrassônico (40 °C/20 min), filtração e concentração em evaporador rotativo. A atividade antioxidante do extrato foi avaliada pelos métodos de compostos fenólicos totais (259,08 ± 0,53 mg EAG/g), FRAP (775,70 ± 2,04 µg/mL), fosfomolibdênio (514,20 ± 2,04 mg EAA/g), DPPH (IC₅₀ = 19,50 ± 0,07 µg/mL) e ABTS (17,60 ± 0,17%). Os resultados demonstram que o caruru é uma fonte rica em antioxidantes naturais, com potencial para aplicação no desenvolvimento de alimentos funcionais e embalagens biodegradáveis com ação antioxidante. Recomenda-se, em estudos futuros, a investigação da bioacessibilidade dos compostos, além de análises sensoriais e reológicas, visando a viabilidade tecnológica e comercial do ingrediente.
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