Caminhada agroecológica: biodiversidade, sustentabilidade, saberes e tradição no Quilombo Lagoa dos Anjos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59033/cm.v10i4.1758

Palavras-chave:

Agroecologia, Plantas medicinais, Conservação da biodiversidade, Conhecimento Tradicional, Comunidade quilombola

Resumo

O Projeto de Curricularização da Extensão (PCE) “Mãos que Cultivam: valorização e preservação do conhecimento ancestral das plantas medicinais da Comunidade Quilombola Lagoa dos Anjos” articulam ensino, pesquisa e extensão em torno da agricultura, do meio ambiente e dos saberes tradicionais no município de Candiba-BA. A iniciativa reafirma a agroecologia como prática de resistência ao epistemicídio e como estratégia de sustentabilidade para comunidades quilombolas, ao valorizar o uso das plantas medicinais transmitido entre gerações. Essas práticas unem cuidado com a saúde, preservação da biodiversidade e manejo responsável dos recursos naturais, configurando-se como patrimônio imaterial que traduz a relação equilibrada entre território, agricultura familiar e meio ambiente. Entre as ações desenvolvidas, destacam-se o levantamento histórico-cultural da comunidade e a catalogação das espécies medicinais utilizadas pelos moradores, reconhecendo a flora local como riqueza socioambiental e fonte de alternativas sustentáveis para a convivência com o semiárido. Nesse processo, a Caminhada Agroecológica, realizada em 07 de dezembro de 2024, foi um momento marcante de aprendizado e vivência. Conduzida por Luciene Alves dos Santos Silva, conhecida carinhosamente como tia Iyô, a atividade permitiu observar as espécies medicinais em seus ambientes naturais, compreender seus usos e modos de preparo, além de refletir sobre a importância da preservação da biodiversidade para a manutenção da saúde e do bem-estar coletivo. Durante a caminhada, foram apresentadas plantas como alfavaca (Ocimum basilicum), algodão rim-de-boi (Gossypium spp.), mastruz (Chenopodium ambrosioides), açafrão (Curcuma longa), alecrim (Rosmarinus officinalis) e capim-santo (Cymbopogon citratus), espécies amplamente utilizadas no cotidiano da comunidade tanto em práticas de cura quanto na promoção do bem-estar. A transmissão oral desses conhecimentos por tia Iyô, guardiã dos saberes locais, reforça a relevância dos saberes populares como forma de resistência cultural e como estratégia de manutenção da saúde em harmonia com a natureza. Ao valorizar esses saberes, compreende-se que cada planta carrega não apenas propriedades terapêuticas, mas também memórias, histórias e identidades que fortalecem a comunidade quilombola frente aos desafios ambientais e sociais. O quintal de tia Iyô, apresentado como um verdadeiro “cantinho da saúde”, exemplifica a agricultura sustentável e o manejo agroecológico dos recursos, evidenciando a conexão entre território, cultura e natureza. Essa experiência fortalece a percepção de que as comunidades quilombolas desempenham papel central na conservação ambiental, no uso sustentável das plantas e na construção de alternativas para enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Os registros da caminhada servirão de base para materiais educativos e científicos, ampliando a difusão dos saberes quilombolas e sua contribuição para a agricultura sustentável. Além de promover o diálogo entre comunidade e academia, o projeto potencializa a formação crítica dos estudantes envolvidos e fortalece a identidade coletiva da comunidade. Assim, o projeto “Mãos que Cultivam” reafirma a potência do conhecimento ancestral quilombola como prática de resistência, cuidado ambiental e promoção da sustentabilidade, demonstrando que as soluções locais baseadas na tradição são fundamentais para a preservação da biodiversidade e para a construção de um futuro mais justo e equilibrado.

Biografia do Autor

  • Camila Vitoria Costa Ferreira, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano Campus Guanambi

    Licencianda em Ciências Biológicas, pelo Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi.

  • Fernanda da Silva Santos, Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi. 

    Licencianda em Ciências Biológicas, pelo Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi. 

  • Luziane Neves Martins, Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi

    Licencianda em Ciências Biológicas, pelo Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi

  • Leonor Neves Martins, Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi

    Licenciando em Ciências Biológicas, pelo Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi. 

  • Robert Oliveira da Silva, Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi.

    Licenciando em Ciências Biológicas, pelo Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi.

  • Daniele de Brito Trindade, Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi

     Drª em Estatística (UFPE), Professora EBTT do Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi, professora. 

Referências

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Publicado

2026-02-26

Como Citar

Caminhada agroecológica: biodiversidade, sustentabilidade, saberes e tradição no Quilombo Lagoa dos Anjos. (2026). Cadernos Macambira, 10(4), e010041758. https://doi.org/10.59033/cm.v10i4.1758