Análise temporal dos focos de queimadas no Estado da Bahia (2015-2025): subsídios para a educação ambiental frente às mudanças climáticas
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v10i4.1801Palavras-chave:
Educação Ambiental , Incêndios Florestais, Monitoramento Ambiental, Mudanças ClimáticasResumo
A Caatinga, bioma predominante no estado da Bahia, enfrenta um desafio histórico com as queimadas, que representam um desastre socioambiental recorrente e um sintoma das pressões impostas pelas mudanças climáticas. Este cenário exige uma resposta que transcenda o combate e inclua a construção de valores e competências na sociedade. Alinhado a essa necessidade, e em consonância com a Política Nacional de Educação Ambiental, recentemente atualizada para assegurar atenção às mudanças do clima, à proteção da biodiversidade e aos riscos de desastres, este estudo teve como objetivo principal analisar a evolução temporal dos focos de queimadas na Bahia, entre 2015 e 2025. Como objetivo secundário, procurou-se reunir informações concretas que ajudassem na criação de ferramentas e métodos educacionais, aplicáveis tanto no ensino formal quanto no não-formal, com foco na percepção de riscos e na conscientização da sociedade. Para isso, realizou-se um estudo descritivo-exploratório de abordagem qualitativa, utilizando como fonte de dados secundários a base pública do "Programa Queimadas" do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os totais anuais de focos de calor foram compilados, organizados em uma série temporal e analisados com auxílio de inteligência artificial generativa (Gemini) para identificar padrões e tendências. Os resultados revelam uma trajetória de acentuada instabilidade. O ano de 2015 registrou um pico recorde de 16.513 focos, configurando um evento extremo. Seguiu-se um período de queda expressiva até o mínimo da série em 2018, com 4.956 focos, o que pode ter gerado uma falsa percepção de controle do problema. Contudo, a partir de 2019, a tendência se inverteu drasticamente, iniciando uma nova escalada que culminou em 14.359 focos em 2021 e se manteve em patamares alarmantes, como os 11.917 focos de 2023. Essa retomada está associada a fatores climáticos, como o fenômeno El Niño que intensificou as secas, e a fatores antrópicos, como o desmatamento. Conclui-se que o histórico de queimadas na Bahia é um reflexo direto das vulnerabilidades socioambientais que a legislação ambiental busca mitigar através da educação. Os dados deste estudo fornecem evidências concretas que justificam e podem orientar a inserção efetiva da temática nos projetos pedagógicos da educação básica e superior, bem como em campanhas de sensibilização. A compreensão desta dinâmica instável é fundamental para fomentar uma consciência crítica e estimular a participação coletiva em ações de prevenção, mitigação e adaptação, cumprindo os objetivos fundamentais da educação ambiental para a construção de uma sociedade mais resiliente e preparada para os desafios climáticos.
Referências
ver arquivo
