Desafios e oportunidades de cooperativas rurais: um estudo do grupo "Mulheres de Careta"
Palavras-chave:
Agroindústria, Agricultura familiar, Emponderamento femininoResumo
É notória a importância de cooperativas e associações nas comunidades rurais, tendo em vista que auxiliam os pequenos agricultores a obterem recursos para produção do campo, bem como a comercialização de seus produtos de forma mais eficaz. Por este motivo, este estudo busca entender por que algumas cooperativas e associações não conseguem ser bem-sucedidas. Essa pesquisa foi realizada na Comunidade Careta, município de Ibiassucê com a entrevista de 7 das 12 mulheres do grupo "Mulheres de Careta", uma cooperativa de desenvolvimento comunitário composta exclusivamente por mulheres e jovens. Na pesquisa foi relatado que surgimento partiu de uma colaboração da secretaria municipal e entidades governamentais (COOTRAF) com o apoio de equipamentos e assistência técnica, respectivamente, bem como a garra e luta de 12 mulheres sonhadoras com o fortalecimento da agricultura familiar local e com a melhoria de renda das famílias. O nascimento do grupo produtivo na comunidade possibilitou a união dos moradores e acesso a conhecimentos e cursos; melhorou o encorajamento das mulheres no momento da venda dos produtos, vislumbrando outros mercados além das feiras livres; incentivou o emponderamento feminino elevando a autoestima das participantes; fazendo com que se tornassem mais eficazes na tomada de decisões; ajudou na aquisição de equipamentos para a associação e sócios; dentre outras mudanças significativas. Dentre os pontos mais abordados, a comercialização dos produtos é a maior dificuldade, no entanto outras dificuldades foram relatadas, como: preconceito da sociedade na aceitação do trabalho e capacidade feminina, gestão financeira, além da escolaridade de alguns membros do grupo. O grupo reconhece que necessita de mais apoio na divulgação e na comercialização, uma vez que um fluxo de venda é muito instável, sendo necessária a busca por mercados fixos. Além do mais o grupo carece de suporte na compra de insumos e matéria-prima. Segundo relatos da cooperada Maria Rosa Amado Castro, a divulgação ajudaria as pessoas conhecer a história e os produtos do grupo. Para Ana Lesbrão da Cruz o que não tem marketing hoje é escondido, a divulgação é a alma do negócio. Já para Leide Laura Nascimento Amado o marketing é positivo porque é muito importante termos a nossa identidade visual, um nome reconhecido, “hoje quando se fala ‘Mulheres de Careta’ muitas pessoas conhecem e fala bem, isso faz muita diferença pra gente”. Apesar de todas as dificuldades o pensamento das mulheres é de crescimento e aumento da fonte de renda, sempre enfatizando a importância e o desejo que os jovens abracem a causa e possam contribuir com a condução, fortalecimento e suporte ao negócio, bem como evitando o êxodo rural. Ademais é notório que a agroindústria possibilitou uma esperança do protagonismo feminino na comunidade, além de um desejo de obterem uma maior fonte de renda, no entanto o grupo necessita de maior apoio em suporte financeiro, em estratégias de marketing, e em capacitações principalmente na gestão da empresa para alavancar o negócio e elevar a confiança do grupo.
Referências
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