Perfil organizacional dos empreendimentos fornecedores do PNAE: estudo comparativo no semiárido baiano
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v10i2.1685Palabras clave:
Agricultura familiar, PNAE, Agroecologia, Saberes tradicionais, Desenvolvimento territorialResumen
O presente estudo caracteriza o perfil de quatro organizações da agricultura familiar que fornecem produtos para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) em Guanambi - BA, com ênfase em sistemas produtivos e interfaces educativas. O objetivo foi analisar a estrutura, a capacitação e a sustentabilidade das instituições, considerando seu papel na mediação entre políticas públicas e saberes tradicionais. Para tanto, utilizou-se uma metodologia quali-quantitativa, com a aplicação de questionários a 99 agricultores de quatro entidades: a Cooperativa Agrícola de Irrigação do Projeto Ceraíma (COOPERC), a Associação dos Moradores de Cana-Brava e Adjacências, a Associação Comunitária da Fazenda Retiro e Bonfim e a Associação dos Produtores de Quixaba e região. Os resultados revelaram perfis contrastantes: a COOPERC destacou-se pela alta participação no PNAE (66,7%), assistência técnica consolidada (57,1% dos associados) e elevado perfil educacional (42,9% com ensino superior), favorecendo sistemas irrigados sustentáveis. A Associação de Cana-Brava apresentou o maior engajamento de jovens (40,7% com até 39 anos) e a avaliação mais positiva do apoio organizacional (a moda estatística apresentou resultado “muito bom”), mas teve menor acesso ao PNAE (29,6%). A Associação da Fazenda Retiro e Bonfim evidenciou fragilidades: 33,3% de seus associados não recebem apoio institucional, e a diversificação produtiva é baixa, o que resulta em uma participação reduzida no programa (22,2%). A Associação de Quixaba, por sua vez, apresenta equilíbrio de gênero (41,7% de mulheres) e adota práticas agroecológicas, mas enfrenta limitações logísticas (41,7% dos entrevistados apontaram o transporte como entrave). Conclui-se que a efetividade no PNAE está relacionada a: 1) capacitação técnica contínua; 2) governança participativa; e 3) integração entre inovação na produção e saberes locais. Recomenda-se a elaboração de políticas que fortaleçam a transição agroecológica em associações menos estruturadas, articulando educação não formal, gestão coletiva e certificação participativa, de modo a transformar o PNAE em um eixo para o desenvolvimento territorial inclusivo.
Referencias
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