Proteínas fúngicas ligantes ao cobre, ferro e zinco disponíveis no protein data bank - análise inicial de metaloproteínas em agentes da cromoblastomicose
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v11i2.1873Keywords:
Micologia médica, Fonsecaea pedrosoi, Bioinformática, Íons metálicos, Fungo patogênico humanoAbstract
A Cromoblastomicose (CBM) é uma micose subcutânea crônica transmitida pela inoculação traumática de fungos saprofíticos presentes no solo ou em vegetais. Os principais agentes etiológicos pertencem aos gêneros Fonsecaea, Cladophialophora e Exophiala. Durante a infecção, o hospedeiro modula a disponibilidade de metais essenciais como ferro (Fe), cobre (Cu) e zinco (Zn) em um mecanismo conhecido como imunidade nutricional, visando limitar o crescimento do patógeno. Esses metais, ao integrarem sistemas biológicos, podem atuar como íons livres ou como cofatores de proteínas (metaloproteínas), desempenhando funções vitais à sobrevivência fúngica. O Protein Data Bank (PDB) é um repositório global e de acesso aberto que reúne estruturas tridimensionais (3D) de proteínas e seus ligantes, determinadas experimentalmente. Tais dados são fundamentais para estudos estruturais e funcionais de biomoléculas. Nesse contexto, a análise genômica de fungos causadores da CBM pode revelar genes codificantes de metaloproteínas, contribuindo para a compreensão dos mecanismos de homeostase de metais nesses organismos. O presente trabalho tem como objetivo identificar metaloproteínas associadas a Cu, Fe e Zn codificadas nos genomas de fungos agentes da cromoblastomicose. Como etapa inicial, foi realizado o levantamento de proteínas fúngicas que se ligam a esses metais, confirmadas experimentalmente e depositadas no PDB. Foram identificadas 157 proteínas associadas ao cobre, 377 ao ferro e 799 ao zinco. Dentre essas, 18 apresentaram ligação simultânea a Cu+Zn, 28 a Cu+Fe, 57 a Fe+Zn e 8 a Cu+Fe+Zn. As estruturas tridimensionais depositadas no PDB correspondem a proteínas de fungos como Saccharomyces cerevisiae, Schizosaccharomyces pombe, Aspergillus fumigatus, Aspergillus nidulans, Fusarium graminearum, Neurospora crassa, Albifimbria verrucaria e Metuloidea murashkinskyi. A maioria dessas estruturas foram obtidas por difração de raios X e microscopia eletrônica. Com base nas sequências identificadas, serão realizadas buscas por homólogos nos genomas de Fonsecaea pedrosoi, Cladophialophora carrionii e Exophiala dermatitidis. Espera-se, assim, contribuir para o entendimento dos mecanismos de homeostase metálica e dos papéis desempenhados pelas metaloproteínas na virulência e adaptação dos agentes da CBM.
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