Ewé Ìwòsàn: plantas medicinais nas religiões de matriz africana como estratégia de educação ambiental e agroecológica
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v10i2.1679Palabras clave:
Saberes tradicionais , Biodiversidade, Espiritualidade, Cultivo orgânico, CandombléResumen
s plantas medicinais exercem um papel central nos sistemas de produção agroecológicos e nos modos de vida das comunidades tradicionais, especialmente nas religiões de matriz africana, como o Candomblé. Nesses contextos, as folhas, conhecidas como ewé em iorubá, são elementos essenciais tanto para práticas de cura quanto para rituais que reafirmam a conexão entre natureza, espiritualidade e identidade cultural. O projeto “Raízes e Folhas: Preservação dos Saberes Ancestrais e Medicina Popular nas Religiões de Matriz Africana”, desenvolvido no âmbito do PIBIC-Af/CNPq, tem como objetivo principal identificar, cultivar e valorizar espécies vegetais utilizadas em rituais e práticas medicinais no Ilé Àsé Ojú Dan Láyé, localizado na zona rural de Guanambi–BA. A metodologia adotada é de natureza quali-quantitativa, com abordagem exploratória e descritiva, estruturada em cinco etapas: levantamento bibliográfico, mapeamento de terreiros, entrevistas com lideranças religiosas, implantação de horta medicinal com adubação orgânica e produção de cartilha educativa. O projeto já realizou diversas ações de campo, como coletas e análise de solo, diálogos com a comunidade do terreiro, participação em rituais, preparação do espaço para implantação da horta e construção dos canteiros. Com o cultivo agroecológico em andamento, a próxima etapa contempla a instalação de sistema de irrigação sustentável, potencializando o uso consciente da água. Os resultados evidenciam que a adoção de práticas orgânicas não apenas colabora para a preservação da biodiversidade local e para o fortalecimento da segurança alimentar e da saúde comunitária, mas também promove uma educação ambiental intercultural, baseada no respeito aos saberes tradicionais. Ao integrar espiritualidade, práticas sustentáveis e valorização do conhecimento ancestral, o projeto contribui para mitigar os impactos das mudanças climáticas, estimulando a autonomia das comunidades e reafirmando a importância das ervas como ferramentas de resistência, cuidado e aprendizagem. Desse modo, a ação fortalece a produção orgânica e agroecológica como caminho de preservação cultural, justiça ambiental e construção coletiva de alternativas sustentáveis enraizadas no território e na ancestralidade.
Referencias
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