Saberes que contam histórias: Culinária Ancestral como patrimônio vivo nos quilombos Aroeira e Lagoa dos Anjos
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v10i2.1680Palabras clave:
Agroecologia, Culinária quilombola, Identidade cultural, Produção orgânica, Saberes tradicionaisResumen
A valorização da culinária quilombola como expressão da identidade, da memória e da resistência cultural das comunidades negras foi o foco desta ação, desenvolvida nas comunidades de Lagoa dos Anjos (Candiba) e Aroeira (Palmas de Monte Alto), localizadas no território Sertão Produtivo, na Bahia. A pesquisa partiu do reconhecimento de que os pratos tradicionais quilombolas carregam saberes ancestrais que ultrapassam a função nutricional: representam vínculos com a terra, com os antepassados e com a espiritualidade, transmitidos oralmente e mantidos por meio da prática cotidiana. A ação teve como objetivo registrar e salvaguardar essas práticas alimentares, fortalecendo o reconhecimento da contribuição dos quilombos para a sustentabilidade, a diversidade cultural e a preservação dos sistemas de produção orgânica baseados em conhecimentos tradicionais. Muitos dos ingredientes utilizados são cultivados nos próprios quintais, sem uso de agrotóxicos, com respeito ao solo, à biodiversidade e aos ciclos naturais, seguindo os princípios da agroecologia e da produção orgânica. Nas comunidades estudadas, a produção de mandioca, milho, feijão, hortaliças e ervas medicinais integra práticas sustentáveis e coletivas, reforçando a autonomia alimentar e os modos de vida tradicionais. A pesquisa adotou metodologia participativa, com escuta sensível e protagonismo das mulheres quilombolas, que selecionaram e prepararam os pratos com ingredientes locais. As receitas foram registradas por meio de vídeos e fotografias, mantendo os ingredientes, modos de fazer, os utensílios tradicionais e os afetos associados à alimentação. Entre os pratos preparados estão o bolo frito, o beiju de coco com rapadura, o pirão de frango caipira, a paçoca de gergelim, a paçoca de carne seca, o chá de bicha, o bolo de mandioca e o bolo de puba, alimentos que expressam saberes, histórias e vínculos comunitários. Os resultados evidenciam que a culinária quilombola, articulada à produção orgânica, é uma prática de resistência frente à homogeneização alimentar e às ameaças às culturas tradicionais, além de contribuir para a segurança alimentar, o cuidado com a saúde e a valorização dos saberes afro-brasileiros. Assim, as comunidades de Lagoa dos Anjos e Aroeira demonstram que é possível produzir e consumir alimentos saudáveis, respeitando a natureza e preservando saberes ancestrais. O envolvimento direto das moradoras na escolha e preparação dos pratos reafirma o protagonismo feminino na preservação das tradições e reforça a importância da transmissão intergeracional desses conhecimentos. Portanto, este trabalho contribui para a valorização das culturas alimentares quilombolas como patrimônios vivos, fundamentais para a promoção da soberania alimentar, da saúde das populações tradicionais e da construção de alternativas sustentáveis frente aos desafios das mudanças climáticas enfrentas ao longo dos tempos.
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