Plantas medicinais e saberes populares: integração entre tradição e ciência na comunidade Lagoa da Vaca – Caetité/BA
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v11i2.1855Palabras clave:
Etnobotânica, Sustentabilidade, Práticas terapêuticas, Comunidades rurais, Preservação culturalResumen
A etnobotânica estuda a relação entre as pessoas e as plantas, investigando de que forma estas são utilizadas como recursos no cotidiano das comunidades. Esse campo de pesquisa abrange tanto o uso prático das espécies vegetais quanto os significados culturais atribuídos a elas. Desde tempos remotos, a humanidade tem recorrido às plantas como parte essencial de sua sobrevivência, desenvolvendo técnicas de manejo e conservação que foram transmitidas de geração em geração. Os vegetais que apresentam propriedades terapêuticas, conhecidos como plantas medicinais, acompanham as civilizações desde seus primórdios, sendo utilizados por diferentes culturas em todo o mundo. O conhecimento sobre seus usos constitui um sistema complexo, construído e preservado ao longo do tempo por meio da observação, da experimentação e da interação contínua com o ambiente natural. Entre essas práticas, destaca-se o uso das plantas medicinais como uma das formas mais antigas de cuidado com a saúde. Há registros milenares que demonstram sua aplicação no tratamento de diversas enfermidades, especialmente por meio de chás, infusões e preparações caseiras. Esse saber, mantido no seio das famílias e comunidades, evidencia tanto a relevância cultural quanto a função terapêutica desses recursos. Nas comunidades rurais e tradicionais, esse conhecimento popular ganha ainda mais força, pois integra vivências cotidianas, práticas de cura e valores ancestrais, garantindo a continuidade de saberes que unem a experiência prática à identidade cultural dos povos. A etnobotânica, portanto, não se limita ao aspecto biológico, mas integra dimensões culturais, sociais e espirituais, revelando como os modos de vida estão profundamente entrelaçados às plantas e aos seus usos. O presente trabalho tem como base a comunidade Lagoa da Vaca, localizada em Pajeú dos Ventos, no município de Caetité (BA), e encontra-se em fase inicial de desenvolvimento. A proposta busca compreender os saberes populares sobre plantas medicinais e integrá-los ao conhecimento científico, de modo a valorizar a sabedoria local e incentivar o uso consciente e sustentável desses recursos. O objetivo geral é investigar e divulgar o conhecimento da comunidade relacionado às plantas medicinais, no que se refere às suas propriedades terapêuticas e formas de utilização, sendo delineados, para tanto, objetivos específicos com ações sequenciais e direcionadas à preservação cultural e à promoção da saúde comunitária. A metodologia planejada segue uma abordagem qualitativa e está estruturada em quatro etapas principais: levantamento do conhecimento popular por meio de questionários semiestruturados; validação científica com base em pesquisa bibliográfica em artigos e revistas; diálogo e disseminação de informações através de rodas de conversa interativa e materiais educativos adequados; e, por fim, uma oficina prática para a produção de incensos com propriedades terapêuticas. Os dados preliminares indicam que as espécies mais citadas pela comunidade são o Manjericão (Ocimum basilicum L.), o Capim-Santo (Cymbopogon citratus), o Mastruz (Dysphania ambrosioides) e a Água-da-colônia (Alpinia zerumbet), reconhecidas por apresentarem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas, hipotensoras e diuréticas. Embora ainda em andamento, o projeto já tem possibilitado uma importante troca de saberes entre a tradição popular e a ciência, fortalecendo práticas de cuidado, respeito cultural e valorização do uso responsável das plantas medicinais.
Referencias
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