Entre o sagrado e o orgânico: implementação de uma composteira orgânica no Ilé Àse Ojú Dan Láyé
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v10i2.1688Palavras-chave:
Compostagem, Saberes tradicionais , Adubo orgânico, Sustentabilidade, Plantas sagradasResumo
Este trabalho refere-se à implantação, ainda em andamento, de uma composteira orgânica no Ilé Àse Ojú Dan Láyé, terreiro de Candomblé localizado em Guanambi (BA). A ação está inserida no projeto de pesquisa “Raízes e Folhas: Preservação dos Saberes Ancestrais e Medicina Popular nas Religiões de Matriz Africana” e propõe uma alternativa sustentável para o manejo dos resíduos orgânicos provenientes do terreiro. A proposta visa integrar práticas agroecológicas ao cotidiano do espaço sagrado, promovendo o cuidado com a terra e a valorização dos saberes tradicionais ligados à natureza e à espiritualidade. A metodologia utilizada foi fundamentada em uma abordagem qualitativa e participativa, com envolvimento direto da comunidade religiosa e da equipe do projeto. O processo contou com três visitas técnicas. A primeira, realizada em 03 de novembro de 2024, teve como objetivo diagnosticar a área e identificar o descarte inadequado de resíduos em uma parte do terreno. Na segunda visita, em 09 de fevereiro de 2025, foi definida a área de instalação da composteira, considerando critérios técnicos como sombreamento, ventilação e acessibilidade, bem como o respeito aos fluxos simbólicos e religiosos do local. A terceira visita, em 15 de fevereiro de 2025, foi destinada à limpeza e preparação do espaço, com a remoção dos resíduos existentes e adequação do ambiente. A construção da composteira será executada em etapa posterior. Após sua instalação, serão promovidas ações educativas com a comunidade, incluindo a distribuição de uma cartilha e a realização de uma palestra, visando instruir os participantes sobre o funcionamento do sistema e a importância do descarte correto de resíduos orgânicos. Espera-se que a composteira contribua para a produção de adubo natural a ser utilizado na horta de plantas sagradas do terreiro, fortalecendo o cultivo tradicional, produção orgânica e o vínculo entre espiritualidade e sustentabilidade. A experiência representa uma ação concreta de cuidado ambiental, mobilização comunitária e valorização dos saberes ancestrais, demonstrando como tecnologias sociais simples podem ser potentes quando contextualizadas nos territórios e culturas locais.
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