Mostras científicas como ferramenta de educação e desenvolvimento sustentável na Comunidade Quilombola Lagoa dos Anjos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59033/cm.v10i4.1757

Palavras-chave:

Conhecimento Ancestral, Educação Ambiental, Sustentabilidade

Resumo

Os quilombos contemporâneos são guardiões de um conhecimento ancestral valioso, especialmente no uso de plantas medicinais, transmitido oralmente entre gerações. Esse saber, construído na relação cotidiana com a natureza, desempenha papel essencial na preservação da biodiversidade e no manejo sustentável dos recursos naturais. Além de fortalecer práticas tradicionais de cuidado e identidade cultural, pode também dialogar com a ciência moderna, oferecendo subsídios para pesquisas que impulsionem a inovação em saúde e a promoção da sustentabilidade socioambiental. O Projeto de Curricularização da Extensão (PCE) “Mãos que Cultivam: valorização e preservação do conhecimento ancestral das plantas medicinais da Comunidade Quilombola Lagoa dos Anjos” tem como propósito reconhecer e difundir os saberes tradicionais vinculados ao uso de plantas medicinais, integrando-os a práticas de educação ambiental, agroecologia e soberania alimentar. A iniciativa, ancorada na perspectiva da Educação do Campo e no diálogo entre ciência e tradição, promoveu mostras científicas em escolas públicas municipais e estaduais do Território Sertão Produtivo (BA), envolvendo licenciandos em Ciências Biológicas em experiências formativas que uniram preservação da biodiversidade, valorização cultural e desenvolvimento sustentável. As atividades abrangeram a exposição de mudas, sementes, folhas e cascas de plantas medicinais cultivadas na comunidade quilombola; degustação de chás, que estimulou experiências sensoriais ligadas ao uso tradicional; práticas de plantio, promovendo o contato direto com a terra; além da produção de banners e materiais educativos para facilitar a compreensão científica. As mostras possibilitaram vivências educativas baseadas na aprendizagem significativa, em que os participantes reconheceram a importância das plantas medicinais para a saúde, a biodiversidade e a identidade cultural. Durante a 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (21ª SNCT), o projeto ganhou novos espaços de diálogo e intercâmbio, ultrapassando os limites da comunidade de origem e chegando a diferentes municípios do Sertão Produtivo. Essa expansão fortaleceu a valorização da identidade cultural e ampliou o debate sobre educação ambiental e desenvolvimento sustentável. Nas escolas visitadas, as atividades mostraram o caráter formativo do projeto. No Ensino Médio, os estudantes demonstraram maior interesse em pesquisas sobre plantas medicinais, reconhecendo sua relevância científica e cultural. Já no Ensino Fundamental, a proposta foi adaptada com linguagem acessível e práticas de plantio, possibilitando a compreensão do tema desde cedo. Em ambos os contextos, os relatos de uso doméstico das espécies evidenciaram a conexão entre saber popular e ciência escolar, enquanto o envolvimento das crianças reforçou a importância da educação ambiental na construção de valores sustentáveis desde a infância. Essas experiências evidenciam que o tema é pertinente e pode ser trabalhado de forma significativa em diferentes faixas etárias. Esses espaços também se configuraram como ambientes de diálogo intergeracional, reunindo licenciandos, professores, estudantes e membros da comunidade. Assim, o projeto evidencia que as mostras científicas podem atuar como ferramentas eficazes de educação e desenvolvimento sustentável, ao unir tradição quilombola, preservação da biodiversidade e práticas pedagógicas inovadoras. Ao valorizar o conhecimento ancestral como ciência legítima, a iniciativa contribui para fortalecer a responsabilidade socioambiental e reafirma a educação como elemento central para a construção de sociedades mais justas e sustentáveis.

Biografia do Autor

  • Fernanda da Silva Santos, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia baiano

    Licencianda em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi

  • Camila Vitoria Costa Ferreira, Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi

    Licencianda em Ciências Biológicas do Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi. 

  • Luziane Neves Martins, Instituto Baiano, Campus Guanambi

    Licencianda em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi.

  • Leonor Neves Martins, Instituto Baiano, Campus Guanambi

    Licencianda em Ciências Biológicas Rural pelo Instituto Baiano, Campus Guanambi.

  • Daniele de Brito Trindade, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano

    Drª em Estatística (UFPE). Docente do Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi

Referências

ver arquivo

Publicado

2026-02-26

Como Citar

Mostras científicas como ferramenta de educação e desenvolvimento sustentável na Comunidade Quilombola Lagoa dos Anjos. (2026). Cadernos Macambira, 10(4), e010041757. https://doi.org/10.59033/cm.v10i4.1757