Taxa de mortalidade devido a micoses no Brasil nos anos iniciais do século XXI - análise retrospectiva
DOI:
https://doi.org/10.59033/cm.v11i2.1950Palavras-chave:
Micologia médica, Causas de morte, Fungos, Indicadores básicos de saúdeResumo
Doenças infecciosas são responsáveis por um alto número de internações e mortes no Brasil. As micoses são doenças causadas por fungos e podem acometer pele, pelos, unhas, mucosas, tecido subcutâneo, órgãos e diferentes sistemas do corpo. As infecções fúngicas possuem diagnóstico e tratamento desafiador, o que resulta em alto investimento pelo Sistema Único de Saúde. Ademais, as informações epidemiológicas são imprecisas pois este grupo de doenças não são de notificação compulsória. Dados confiáveis sobre as micoses são os de mortalidade, disponibilizados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e coletados a partir de Declarações de Óbito. O objetivo deste trabalho é determinar as Taxas de Mortalidade (TM) atribuíveis às micoses no Brasil, por meio de análise retrospectiva das informações do SIM, nos anos de 2001 a 2020. O trabalho trata-se de um estudo ecológico de séries temporais. Foi utilizado o código de Classificação Internacional das Doenças v.10 empregando os códigos B35 a B49, referente às micoses, para busca no SIM. Os censos demográficos de 2010 e 2022 foram utilizados para determinar as TMs. As TMs foram calculadas por 1.000.000 de habitantes (106 hab). Utilizou-se o modelo de regressão linear para determinar os padrões de tendência. Registrou-se 7.795 óbitos tendo como causa primária a infecção fúngica durante os primeiros 20 anos do século XXI; destes, 869 (11,14%) dos óbitos foram registrados como micoses não especificadas. A TM por Micoses foi em média de 3,31 ± 0,3/106 hab no Brasil. Dentre as micoses, a Paracoccidioidomicose, a Criptococose e a Candidíase aparecem com 2.529 (32,44% - TM: 1,27/106 hab), 1.958 (25,11% - TM: 0,96/106 hab) e 1.214 (15,57% - TM: 0,59/106 hab) óbitos, respectivamente. Pode-se evidenciar que as mortes por Paracoccidioidomicose houve tendência ao declínio, enquanto as mortes por Criptococose e por Candidíase houve tendência ao aumento. Considerando o total de óbitos observou-se que 69,2% dos óbitos foram do sexo masculino; 55,8% dos óbitos foram de indivíduos da raça branca, seguidos de 30,0% da parda e 7,75% da preta; e 51,15% dos óbitos estão na faixa etária entre 49 a 69 anos. A maioria dos óbitos (92,2%) ocorreram no ambiente hospitalar. Quando considerado óbitos por infecção fúngica como causa secundária à infecção pelo HIV, verificou-se que a Criptococose é associada a 5.631 óbitos, configurando mais da metade dos óbitos (58,5%), seguida pela Candidíase (1.754 – 18,22%) e Histoplasmose (1.666 – 17,31%). Em síntese, os dados obtidos neste estudo evidenciam o impacto negativo das micoses sistêmicas e oportunistas sobre a saúde pública no Brasil, sobretudo entre indivíduos imunocomprometidos, nos quais essas infecções se associam a um aumento significativo nas taxas de mortalidade. A etapa subsequente da pesquisa consistirá na determinação das taxas de mortalidade específicas por estado e região do país, com vistas à identificação de populações mais vulneráveis, e para determinar padrões de disseminação dessas enfermidades no território nacional. Espera-se que os resultados obtidos contribuam para o delineamento de estratégias de vigilância em saúde pública, além de fornecer subsídios para o aprofundamento da compreensão sobre o comportamento epidemiológico das micoses no Brasil.
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