Agricultura familiar como estratégia de preservação socioambiental nas comunidades quilombolas de Aroeira e Lagoa dos Anjos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59033/cm.v10i4.1754

Palavras-chave:

Sustentabilidade rural , Saberes tradicionais , Identidade cultural , Território sertanejo, Economia solidária

Resumo

No contexto do Bioma Caatinga, marcado por fragilidades socioambientais e pelos efeitos das mudanças climáticas, as comunidades quilombolas se destacam por desenvolverem práticas sustentáveis que integram agricultura familiar, conservação ambiental e fortalecimento cultural. Este estudo foca os quilombos de Lagoa dos Anjos (Candiba/BA) e Aroeira (Palmas de Monte Alto/BA), no Território de Identidade Sertão Produtivo, investigando as estratégias produtivas e os saberes locais voltados à preservação da biodiversidade e à resiliência comunitária. A pesquisa, de abordagem qualitativa, utilizou entrevistas semiestruturadas, observação participante e registros audiovisuais para compreender a relação entre práticas agrícolas, memória coletiva e sustentabilidade. O estudo desenvolvido integra as ações da pesquisa “Comunidades Rurais e Tradicionais do Território Sertão Produtivo e seu Ambiente: cultura, identidade e modos de vida”, que tem como objetivo a produção de um documentário de curta-metragem voltado ao registro e valorização das práticas culturais, modos de produção e formas de organização social dessas comunidades. Nesse contexto, o estudo sobre a agricultura familiar nos quilombos de Aroeira e Lagoa dos Anjos foi desenvolvido como parte das atividades de investigação do projeto, articulando ensino, pesquisa e extensão para compreender como as práticas tradicionais contribuem para a preservação socioambiental e para o fortalecimento da identidade coletiva no Semiárido. Os resultados demonstram que a agricultura familiar nos quilombos estudadas vai além da simples produção de alimentos, configurando-se como expressão de resistência, identidade cultural e transmissão intergeracional de saberes. As práticas observadas incluem o uso de sementes crioulas, a adubação orgânica, a rotação de culturas, o cultivo diversificado em quintais produtivos, a irrigação por gotejamento, bem como a transformação de alimentos tanto para o consumo quanto para a comercialização. Essas estratégias garantem soberania e segurança alimentar, asseguram a produção de alimentos saudáveis, reduzem a dependência de insumos externos, fortalecem a renda local e promovem a continuidade cultural. Ao mesmo tempo, contribuem para a preservação da biodiversidade, para a mitigação dos efeitos climáticos e para a resiliência comunitária diante das adversidades. A relação simbólica e espiritual com a terra reforça a agricultura como prática de pertencimento e de cuidado com o meio ambiente. Conclui-se, portanto, que a agricultura familiar, ao integrar sustentabilidade ambiental, valorização sociocultural e conservação dos recursos naturais, constitui um pilar estratégico para o desenvolvimento sustentável em territórios quilombolas do Semiárido. Nesse sentido, as experiências dessas comunidades representam caminhos consistentes para o fortalecimento de sistemas agroecológicos de baixo carbono, sendo fundamentais para políticas públicas que promovam justiça social, preservação cultural e conservação dos recursos naturais.

Biografia do Autor

  • Stefany Raiane Dias de Almeida, INSTITUTO FEDERAL BAIANO, CAMPUS GUANAMBI

    Estudante do Curso Técnico em Agroindústria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano – Campus Guanambi

  • Daniela Silva Aires, INSTITUTO FEDERAL BAIANO, CAMPUS GUANAMBI

    Graduanda em Tecnologia em Agroindústria pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Guanambi

  • Rayany Silva Santos, INSTITUTO FEDERAL BAIANO, CAMPUS GUANAMBI

    Graduanda em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Guanambi

  • Luís Gustavo Cardoso da Silva, INSTITUTO FEDERAL BAIANO, CAMPUS GUANAMBI

    Graduando em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Guanambi

  • Dra. Daniele de Brito Trindade, Instituto Federal Baiano Campus Guanambi/Docente

    Professora EBTT IF Baiano, Campus Guanambi, onde também atua como professora colaboradora do Mestrado Profissional em Produção Vegetal no Semiárido (MPPVS) e coordenadora substituta do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas (Portaria nº 597/2024). Doutora (2018) e Mestra (2014) em Estatística pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é graduada em Estatística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Lidera o Grupo de Pesquisa HAFROQI – História, Memória e Identidade Afro- Brasileira, Quilombola e Indígena do Sertão Produtivo, com foco em pesquisas interdisciplinares voltadas à valorização da identidade étnico-racial e a valorização, materialização e disseminação da história, costumes e tradições das comunidades Quilombolas e Tradicionais. Integra o Grupo de Pesquisa GPQUIF – Química do IF Baiano. Atuou como membro gestor do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do IF Baiano, Campus Guanambi (2023–2024).

  • Dr. Lucas Britto Landim, INSTITUTO FEDERAL BAIANO, CAMPUS GUANAMBI/Docente

    Doutor em Engenharia Industrial pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Guanambi

Referências

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Publicado

2026-02-26

Como Citar

Agricultura familiar como estratégia de preservação socioambiental nas comunidades quilombolas de Aroeira e Lagoa dos Anjos. (2026). Cadernos Macambira, 10(4), e010041754. https://doi.org/10.59033/cm.v10i4.1754