Gastronomia quilombola e biodiversidade da caatinga: identidades, saberes, práticas alimentares e sustentabilidade socioambiental

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59033/cm.v10i4.1756

Palavras-chave:

Agricultura familiar, Identidade cultural, Tradição alimentar, Comunidades quilombolas

Resumo

Nas comunidades quilombolas do Território de Identidade Sertão Produtivo, a agricultura familiar e a culinária tradicional assumem papel central na preservação cultural e na sustentabilidade socioambiental. Para além de sua função nutricional, a alimentação constitui memória coletiva, identidade e resistência, conectando-se diretamente ao meio ambiente por meio do cultivo comunitário, da valorização da biodiversidade local e do uso de práticas agrícolas que respeitam o equilíbrio ecológico. O sistema alimentar quilombola configura-se como patrimônio imaterial, guardando tradições transmitidas oralmente, sobretudo pelas anciãs, e reafirmando a herança ancestral frente às transformações sociais e climáticas. O estudo tem como objetivo valorizar a gastronomia dos quilombos contemporâneos, relacionando-a aos modos de produção agrícola e aos saberes tradicionais, materializando esse conhecimento por meio de um e-book e cartilhas educativas, que atuarão como acervo pedagógico para estudantes e instrumento de memória e transmissão cultural para as próximas gerações. A metodologia adota abordagem quali-quantitativa estruturada em quatro etapas: (I) pesquisa bibliográfica, (II) mapeamento das comunidades, (III) aplicação de questionários semiestruturados e entrevistas, e (IV) registros audiovisuais das práticas culinárias. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), via Pró-Reitoria de Pesquisa (Edital 52/2024 – PIBIC) do Instituto Federal Baiano, Campus Guanambi, e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 7.352.907). Participam as comunidades Vargem Alta e Vargem Comprida (Palmas de Monte Alto), Boi (Pindaí) e Passagem de Areia (Caetité), todas certificadas e representativas do território. Ao relacionar agricultura familiar e culinária ancestral, destacam-se pratos que utilizam insumos cultivados nos quintais e roçados, fortalecendo a ligação entre produção local, sustentabilidade e identidade cultural. Entre eles, o picadinho de palma, que evidencia o aproveitamento da palma forrageira, espécie adaptada ao semiárido e estratégica para a segurança alimentar; o maxixe com nata, que valoriza esse fruto típico da Caatinga presente no cotidiano quilombola e a maniçoba, elaborada a partir do broto da folha de mandioca, cuja preparação cuidadosa simboliza sustentabilidade e profundo vínculo com a terra. Essas receitas revelam criatividade culinária frente às condições ambientais e resistência cultural ao transformar recursos do bioma em símbolos de memória, ancestralidade e pertencimento. Os resultados parciais abrangem a caracterização das comunidades a partir de suas práticas de agricultura familiar, o registro e a produção de pratos típicos, a documentação audiovisual dos processos culinários e a sistematização de relatos sobre história, identidade e costumes. A divulgação tem ocorrido nas redes sociais do projeto “@mapeamento_gastronomico”, fortalecendo o diálogo com a sociedade. Os próximos passos incluem a finalização do e-book, que reunirá as receitas quilombolas ancestrais, e das cartilhas, que abordarão sustentabilidade, uso de produtos nativos da Caatinga, além de registrar histórias, costumes e tradições, constituindo um legado cultural para cada comunidade envolvida, ampliando a difusão do conhecimento junto à comunidade acadêmica e às próprias comunidades quilombolas. Conclui-se que a pesquisa fortalece a agricultura familiar como prática sustentável, valoriza a identidade cultural quilombola do Sertão e contribui para a conservação dos saberes alimentares, alinhando-se às políticas de preservação do Bioma Caatinga e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Biografia do Autor

  • Rayany Silva Santos, Instituto Federal Baiano Campus Guanambi

    Graduanda em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Campus Guanambi

  • Luis Gustavo C. da Silva, Instituto Federal Baiano Campus Guanambi

    Graduando em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Campus Guanambi. 

  • Daniela da Silva Aires, Instituto Federal Baiano Campus Guanambi

    Graduanda em Tecnologia em Agroindústria pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Campus Guanambi

  • João Vitor dos santos Ramos, Instituto Federal Baiano Campus Guanambi

    Licenciando em Ciências Biológicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Campus Guanambi

  • Daniele de Brito Trindade, Instituto Federal Baiano Campus Guanambi

    Doutora em Estatística pela Universidade Federal de Pernambuco – PPGE/UFPE. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Campus Guanambi

  • George Gabriel Mendes Dourado, Instituto Federal Baiano Campus Guanambi

    Mestre em Ciências de Computação e Matemática Computacional pela Universidade de São Paulo - ICMC/USP. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Campus Guanambi

Referências

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Publicado

2026-02-26

Como Citar

Gastronomia quilombola e biodiversidade da caatinga: identidades, saberes, práticas alimentares e sustentabilidade socioambiental. (2026). Cadernos Macambira, 10(4), e010041756. https://doi.org/10.59033/cm.v10i4.1756